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Artigos

  • Foto do escritor: Juliana Almeida
    Juliana Almeida
  • 7 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

O vocabulário da psiquiatria, psicologia e psicanálise tem se popularizado de forma ampla e acelerada. Essa disseminação de termos leva muitas pessoas em sofrimento psíquico a nomearem seus sintomas com base nas novas terminologias às quais são expostas.


Paralelamente, a ansiedade aparece cada vez mais como uma queixa recorrente, tornando-se um sintoma social característico da contemporaneidade. No entanto, o que é comumente identificado dessa forma pode, na verdade, envolver uma variedade de experiências subjetivas, como medos, angústias, fobias e traumas, que acabam abrigados sob o amplo rótulo da ansiedade.


Essas nuances, contudo, só podem ser reveladas no percurso de um trabalho clínico. Sob a ótica da psicanálise, as interpretações sobre a ansiedade podem ganhar diferentes relevos. Um deles é o que foi nomeado por Freud (1930) como "Mal-estar na civilização": a dificuldade que o sujeito encontra em lidar com sua inserção social, pois, muitas vezes, seus desejos não se alinham com as regras e demandas do meio em que vive. Esse descompasso pode gerar conflitos, desconfortos e pressões que se manifestam como ansiedade.


Por outro lado, essas pressões e conflitos podem advir não da relação direta com o meio externo, mas de movimentos internos e inconscientes do sujeito. Eles são uma resposta a um perigo ainda não identificado, mas traumático, que leva à sensação de ansiedade.


Experiências passadas, presentes e futuras se embaralham, e sentimentos e ideias entram em conflito. É nesse contexto que o psicanalista atua, ouvindo e decompondo as narrativas e seus sentidos para, junto com o analisando, construir novas formas de lidar com o sentimento presente.


Se você se sente ansioso e não entende a origem desse sentimento, talvez seja um bom momento para buscar uma escuta qualificada e atenta.

 
 
 
  • Foto do escritor: Juliana Almeida
    Juliana Almeida
  • 7 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

É comum se perguntar até que ponto nossas experiências são resultado das nossas próprias escolhas. Se elas são determinadas por fatores que não controlamos, sejam internos, como sentimentos e impulsos, ou externos, como a família, a cultura ou a sociedade. Essa dúvida encosta numa linha delicada: até que ponto alguém é culpado pelo que vive, e até que ponto é responsável pela forma como lida com isso?


É verdade que o ambiente em que vivemos tem grande influência sobre nós. Às vezes, ele é até hostil. E claro, as condições materiais (como ter ou não ter acesso a recursos, afeto ou apoio) não podem ser ignoradas. Mas, mesmo dentro de um mesmo contexto, cada pessoa sente, interpreta e reage de forma única. Isso tem a ver com a forma como cada um é estruturado psiquicamente, com suas marcas, sua história e seu jeito de se defender da dor.


Muitas vezes, quem chega ao consultório de um psicanalista vem carregando culpa. Culpa por algo que fez, que deixou de fazer, ou até mesmo por situações nas quais nem teve participação direta. Como entender esse sentimento?


Na psicanálise, não há uma explicação única, mas uma das possibilidades é a ideia de uma “dívida simbólica”. É como se a pessoa sentisse que deve algo, mesmo sem saber exatamente o quê, e por isso se obriga a agir de certas formas. Por exemplo: “não posso me sentir mal, porque sempre tive tudo”, “tenho que cuidar dele, porque ele sempre foi bom comigo”, “preciso me esforçar para mostrar que sou grata”. São frases que mostram como essa culpa cobra atitudes, mesmo quando elas trazem sofrimento.


Por outro lado, agir por obrigação nem sempre resolve o mal-estar. Há quem diga: “quero viajar, mas me sinto culpada de deixá-lo”, “quero estudar biologia, mas meus pais esperam que eu estude arquitetura”. Como conciliar esses desejos com os deveres? Não cabe à análise dizer o que é certo ou errado, a psicanálise não trabalha com julgamentos morais.

Lacan, um dos principais nomes da psicanálise, dizia que a questão central não é o que é certo ou errado, mas como o sujeito lida com seu desejo, ou seja, com aquilo que falta, com aquilo que busca, com o que o move.


E é justamente aí que entra a ideia de responsabilidade. Diferente da culpa, que muitas vezes paralisa e aprisiona, a responsabilidade pode abrir caminhos. Quando alguém começa a perceber seus padrões, suas repetições e as formas inconscientes como lida com a vida, pode começar a construir outras possibilidades. Pode, pouco a pouco, fazer escolhas mais conectadas com o que realmente quer, não com o que acha que “deve”.


Nesse processo, a relação com os outros também muda. Deixa de ser marcada pela culpa e pode se tornar mais livre, mais verdadeira.

 
 
 

Juliana Almeida | Psicóloga e Psicanalista | CRP: 06 192106 | Campinas - SP, Brasil.

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